Viajar sem imprevistos: o que verificar antes de partir
As férias são, na maioria das vezes, sinónimo de descanso. Mas atrasos, cancelamentos, bagagens perdidas ou problemas com o alojamento continuam a ser frequentes no verão, e conhecer os direitos e cuidados a ter antes de viajar pode evitar que um imprevisto comprometa toda a experiência. A DECO PROteste reuniu um conjunto de recomendações que vale a pena rever antes de fazer as malas.
Os direitos dos passageiros aéreos estão a mudar
Está em discussão nas instituições europeias uma revisão das regras de proteção dos passageiros aéreos, que traz um reforço de alguns direitos dos consumidores, embora o acordo ainda não tenha sido formalmente adotado.
As indemnizações por atraso ou cancelamento mantêm-se entre os 250€ e os 600€, sem alterações nos valores, ainda que continuem desatualizadas e sem indexação. Reforçam-se os direitos de passageiros vulneráveis, como pessoas com mobilidade reduzida, crianças e grávidas, garantindo o direito a sentar-se junto de um acompanhante sem custo adicional. Prevê-se também maior transparência nos preços da bagagem de mão, ainda que o conceito continue por definir de forma clara, o que pode gerar discordâncias entre companhias. Mantém-se, por outro lado, a proibição de penalizar passageiros por não terem comparecido a um voo anterior: não pode ser recusado o embarque no regresso, nem cobradas taxas adicionais por esse motivo.
O passaporte não deve ficar para a última hora
As filas nos aeroportos e os novos controlos fronteiriços têm aumentado os tempos de espera, e a preparação de uma viagem começa muito antes do embarque. Muitos portugueses têm o passaporte caducado ou perto de expirar sem se aperceberem, e alguns países exigem uma validade mínima de três a seis meses para permitir a entrada.
As renovações tendem a demorar mais durante o verão, e embora existam modalidades expresso e urgente, estas implicam custos acrescidos e não eliminam por completo o risco de dificuldades no acesso aos serviços. Quanto mais cedo for iniciado o processo de renovação, menor é a probabilidade de imprevistos ou despesas de última hora.
Pagamentos em viagem: conveniência sem descuidar a segurança
Os cartões de débito e crédito continuam a ser uma alternativa mais cómoda e segura do que transportar grandes quantidades de dinheiro. Antes de partir, vale a pena confirmar a validade dos cartões e avisar o banco da viagem, para evitar bloqueios preventivos por suspeita de fraude e identificar com antecedência onde levantar dinheiro ou obter assistência em caso de perda, roubo ou necessidade de ativar seguros associados.
É também aconselhável levar uma alternativa de pagamento, como Visa e Mastercard, nunca perder o cartão de vista durante os pagamentos, proteger sempre a introdução do código PIN e guardar os comprovativos das operações realizadas. Para quem viaja fora da zona euro, fazer uma estimativa dos gastos com antecedência e evitar trocar moeda em locais turísticos ajuda a poupar e a evitar surpresas desagradáveis.
Seguro de viagem: sim ou não?
Nem sempre é necessário contratar um seguro de viagem adicional. Antes de gastar dinheiro com isso, vale a pena confirmar se já existe proteção por outras vias. Quem comprou um pacote turístico através de uma agência de viagens, é muito provável que já tenha seguro incluído. Muitas apólices de assistência em viagem do seguro automóvel são válidas mesmo sem levar o veículo, embora valha a pena confirmar se os capitais são suficientes. Pagar a viagem ou o alojamento com cartão de crédito pode também dar acesso a um seguro, cujas condições e coberturas merecem ser verificadas. O seguro de saúde cobre, geralmente por reembolso, despesas médicas no estrangeiro, e alguns exigem aviso prévio da viagem. Quem tem crédito habitação e o respetivo seguro de vida já tem garantidos capitais em caso de morte ou invalidez.
Quando nenhuma destas proteções existe, contratar um seguro pode ser recomendável, sobretudo em viagens fora da Europa ou em deslocações mais longas ou exóticas.
Na Europa, vale ainda a pena levar sempre o Cartão Europeu de Seguro de Doença, que permite o acesso aos sistemas de saúde públicos dos Estados-membros em condições iguais às dos cidadãos locais. Em caso de imprevisto, o contacto com a seguradora deve ser imediato, e nunca se devem avançar despesas médicas avultadas sem autorização prévia, sob risco de a seguradora recusar o reembolso por falta de validação. Guardar o número da assistência no telemóvel e levar uma cópia da apólice são pequenos cuidados que facilitam tudo se algo correr mal.
Quando o alojamento reservado não está disponível
Chegar ao destino com o quarto reservado e encontrar a lotação completa é mais comum do que se gostaria. Nestes casos, o hotel deve garantir alojamento equivalente e suportar os custos adicionais decorrentes dessa troca.
Se a unidade hoteleira não cumprir esta obrigação, a reclamação pode ser feita através do livro de reclamações, físico ou eletrónico, junto do Turismo de Portugal, da ASAE, que tem um campo específico no site para reclamações, ou através da plataforma Reclamar, da DECO PROteste.
Cinco recomendações essenciais
Para viajar com mais tranquilidade, vale a pena rever cinco pontos:
- Verificar a validade do passaporte e os requisitos específicos do país de destino antes de reservar a viagem;
- Não esperar pelas semanas que antecedem as férias para renovar ou pedir um novo passaporte;
- Guardar cópias digitais dos documentos de identificação e dos comprovativos da viagem;
- Planear a chegada ao aeroporto com maior antecedência;
- Confirmar se existe a proteção adequada para a viagem, incluindo seguro quando necessário e, para deslocações na Europa, o Cartão Europeu de Seguro de Doença.
Como recorda a DECO PROteste, “os consumidores tendem a concentrar-se na escolha do destino, dos voos ou do alojamento, mas uma simples falha documental pode comprometer toda a viagem.” A melhor forma de evitar imprevistos é, precisamente, verificar tudo com antecedência.
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