Um romance sobre casas, memórias e objetos faladores

O primeiro romance da autora japonesa já está disponível nas livrarias nacionais

Marie Kondo tornou-se conhecida em todo o mundo pelo método KonMari, que propõe arrumar a casa perguntando a cada objeto se ainda traz alegria. Mas há uma faceta menos conhecida da autora japonesa, e é essa que se revela em “Se Esta Casa Falasse…”, o seu primeiro romance, escrito em coautoria com o realizador e escritor Genki Kawamura.

O livro, editado pela Pergaminho, já chegou às livrarias portuguesas e propõe algo diferente de um manual de arrumação. É um romance de atmosfera mágica, construído a partir de sete histórias, que convida a olhar para a desordem doméstica não como um problema a resolver, mas como um sintoma de algo mais profundo.

Uma organizadora com um dom especial

A protagonista é Miko, uma organizadora profissional que ajuda os clientes a trazer ordem às suas casas. Mas o que a torna diferente é um dom pouco comum: a capacidade de escutar os objetos, que lhe revelam segredos, memórias e histórias de quem com eles viveu.

“Já arrumei mais de mil casas. E cada divisão dessas casas está inundada de memórias e pensamentos das pessoas que lá viveram e das coisas faladoras que possuem”, diz a personagem, numa frase que resume bem a proposta do livro. Cada espaço carrega consigo muito mais do que objetos: carrega também o que ficou por dizer, por resolver, por viver.

Quando a casa reflete a vida

São os objetos que ajudam Miko a narrar cada uma das histórias com que se cruza ao longo do livro. Um armário cheio de roupa que já não se usa. Um escritório repleto de livros com histórias para contar. Uma cozinha com gavetas de talheres mal-humorados. Cada peça, um livro, um brinquedo, um jarro de flores, evoca uma memória para quem com ela vive, e aquilo que começa como uma simples arrumação transforma-se numa experiência muito mais profunda.

A ideia central do livro ecoa o que a própria prática da organização já sugere há muito: a desordem doméstica raramente é só sobre objetos fora do lugar. É, com frequência, o reflexo de vidas que ficaram estagnadas ou que perderam, a certo ponto, o rumo. Arrumar a casa pode ser, também, uma forma de voltar a encontrá-lo.

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