Divórcio: oito questões financeiras que merecem atenção

O fim de um casamento obriga a reorganizar muito mais do que rotinas e responsabilidades familiares. Há uma estrutura financeira inteira que precisa de ser revista, desde a casa e o crédito habitação até às contas bancárias, aos seguros e ao IRS. A pensar em quem está a atravessar ou a preparar este processo, o Doutor Finanças reuniu um conjunto de questões que merecem especial atenção, e que ajudam a compreender o que está realmente em jogo.

Nem todos os divórcios seguem o mesmo caminho

Em Portugal existem duas modalidades de divórcio: por mútuo consentimento e sem consentimento de um dos cônjuges, conhecido como divórcio litigioso. Quando há acordo entre as partes sobre o divórcio e as suas condições principais, o processo tende a ser mais rápido, simples e menos dispendioso. Na ausência de consenso, a resolução pode exigir intervenção judicial, o que aumenta tanto a duração como os custos envolvidos.

O regime de bens determina a partilha

A forma como os bens são divididos depende, em grande medida, do regime escolhido no casamento. Na comunhão de adquiridos, apenas os bens adquiridos durante o casamento são considerados comuns. Na comunhão geral, todo o património pertence ao casal. Na separação de bens, cada um mantém a titularidade exclusiva do que é seu. Antes de qualquer negociação ou partilha, é fundamental identificar com clareza o que é bem próprio e o que é bem comum.

A casa nem sempre fica com quem é proprietário

A habitação familiar é um dos temas mais sensíveis neste processo. Mesmo quando a propriedade pertence apenas a um dos cônjuges, a sua utilização pode ser atribuída ao outro, dependendo de fatores como a existência de filhos, a situação económica ou a disponibilidade de alternativas habitacionais. Propriedade e utilização são conceitos distintos, e devem ser analisados separadamente.

O crédito habitação continua a existir

Quando há um crédito habitação em nome de ambos, o divórcio não altera automaticamente as responsabilidades perante o banco. Enquanto os dois titulares permanecerem no contrato, ambos continuam responsáveis pelo pagamento da dívida. Se um dos ex-cônjuges quiser ficar com a casa e assumir o empréstimo sozinho, será necessária uma nova avaliação da instituição financeira para confirmar se reúne condições para suportar o crédito de forma individual.

Contas e créditos precisam de ser revistos

As contas bancárias conjuntas exigem, normalmente, uma reorganização após o divórcio: pode ser necessário dividir saldos, alterar titulares, cancelar autorizações de movimentação ou encerrar contas. O mesmo se aplica a créditos pessoais, cartões de crédito e outras responsabilidades assumidas durante o casamento. Definir com clareza quem fica responsável por cada obrigação ajuda a evitar conflitos futuros.

Os seguros merecem atenção redobrada

São, muitas vezes, esquecidos no processo de separação. Quando existe crédito habitação, pode ser necessário alterar a titularidade dos seguros associados ao imóvel. É igualmente importante rever os beneficiários de seguros de vida, PPR ou outros produtos financeiros. Sem essas alterações, o ex-cônjuge pode continuar identificado como beneficiário, mesmo depois do divórcio.

Filhos menores exigem acordos bem definidos

Quando existem filhos menores, a definição das responsabilidades parentais assume particular relevância. Residência, guarda, regime de visitas, partilha de despesas e eventual pensão de alimentos devem ficar claramente estabelecidos para evitar conflitos e ambiguidades. Quanto mais detalhado for o acordo, menor é o risco de surgirem divergências relacionadas com despesas de educação, saúde ou atividades extracurriculares.

O IRS também muda

O impacto fiscal do divórcio começa a sentir-se no ano seguinte à separação. A alteração do agregado familiar deve ser comunicada à Autoridade Tributária e, quando há filhos, importa atualizar informações sobre guarda, residência fiscal e repartição de despesas. Pensões de alimentos, venda da habitação ou recebimento de tornas podem também ter implicações fiscais que vale a pena conhecer com antecedência.

Mais do que encerrar uma etapa da vida pessoal, um divórcio implica reorganizar toda uma estrutura financeira. Elaborar uma checklist que reúna bens, dívidas, contratos, seguros, contas bancárias e obrigações fiscais pode ajudar a atravessar este processo com mais clareza. Quanto maior for a preparação, mais fácil será construir, depois, uma nova fase com estabilidade e segurança.

Para quem procura informação mais detalhada, o Doutor Finanças disponibiliza no seu portal o guia Divórcio: Guia prático com tudo o que precisa de saber, com informação sobre partilha de bens, crédito habitação, responsabilidades parentais, IRS e outros aspetos legais e financeiros associados ao processo.

Continue a ler